Eu sempre concordei com Guimarães Rosa: Despedir dá febre.
É duro ver quem se quer perto partir. E sei que sou só mais uma na multidão a pensar assim. Afinal, quem que quer longe alguém que nos faz sorrir?
Quando chega hora de ir embora, quando me toco de fato que a ida está perto, eu sou fria, rude, estúpida e grossa com quem tenta me bajular. Não deixo transparecer a inquietação que a febre já está me causando, que me dá arrepios e goles secos. Prefiro não falar e sempre tento agir como se fosse um dia qualquer.
Não choro, não me abato, não dou abraços longos que te dão deixa para frases clichês.
De um dia pro outro fico assim como num surto de bipolaridade somente porque não gosto que me vejam chorando.
Despedidas fazem minha garganta se entrelaçar e quando a palavra procura uma tangente, de repente não acha a saída e se perde nas linhas da confusão.
Gosto que fiquem do meu lado, meio encostados, meio juntos, bebendo, fumando, mas que fiquem em silêncio. O silencio é confortante. Como se jogar no sofá depois de um dia inteiro na churrascaria.
Já tive muitas idas e vindas na minha vida. Dizem que com o tempo você acaba se acostumando. Mas eu nunca me acostumei.
Não gosto do cheiro dos aeroportos. Me fazem tão mal quanto o gosto de Novalgina. Preferia tomar banho frio do que tomar novalgina. Prefiro sumir do que me despedir.
Depois eu penso porque que eu não abracei, porque eu não disse que ia sentir falta, porque não me deixei ser tola pelo menos uma vez?
Depois eu sempre choro como criança que esperneia porque não quer ir embora do parquinho de diversão.
Choro porque dói.
Dói mais que essa otite que não me deixa dormir.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
sábado, 24 de fevereiro de 2007
Eu, você e Hugh Grant.
Eu nunca lembro dos meus sonhos, só fragmentos ou só as pessoas, e isso me irrita, porém tem algo que me irrita ainda mais.
Outro dia Meredith Grey estava na cama com duas pessoas e aquele comercial me atentou a semana inteira. Os dois de bem um com o outro, disposto a fazer com que Grey tivesse a fantasia dos sonhos de qualquer mulher realizada. McDream e McVet na cama, só dela. Quando o programa te leva a loucura por realmente imaginar que aquilo poderia estar acontecendo... Ela acorda com George fazendo barulho na casa. Eu quis matar o George, por ela é claro.
Hoje eu fui acordada e pelo o que eu pude lembrar era um sonho um quanto que estranho. Depois de um dia de intensas atividades com amigos, família, etc., chegava em casa e me deitava no chão para ver tv quando minha mãe me chama. Me abraça e diz que tem algo pra mim. Uma carta. Agradeci e dei um abraço forte. Não achei que fosse alguma coisa que era pra dar muita importância, mas quando olhei o remetente senti meu próprio coraçãozinho pulando forte. Alguém que eu já exclui da minha vida há muito tempo e senti um ódio ao mesmo tempo por ela me atormentar até nos sonhos. Quem faz isso? Só alguém que realmente tem pacto com o senhor das trevas ou com o rei dos magos.
Lembro de hesitar em abrir, fiquei pensando como aquilo poderia ou não mudar tudo. Se tinha algo que explicasse porque que tudo aconteceu, porque que nossas vidas tomaram rumos diferentes, porque uma amizade tão forte se desintegrou. Eu abri. Na mesma hora o Davi ligou.
Pensei em ignorar o celular mas não deu. Davi é uma das poucas pessoas no mundo que quando eu sou mal educada me vem uma culpa terrível e eu nunca consigo dormir a noite por pensar que todos os duendes da terra irão se vingar por ele.
Confesso que enquanto eu falava que não tinha nenhum problema ele me acordar antes de meio dia, de um sábado, no qual fui dormir 5 da manha por ter bebido todas com amigos, pensava nas melhores maneiras de xinga-lo ou de queima-lo vivo. Então que passou a vontade, assim que ele falou em saudade.
Eu decidi não voltar a dormir, que eu não queria saber o que tinha na carta. Minha vida já deu vários passos pra frente e seria muito injusto comigo dar um pra trás.
Acho que tudo isso é fruto da minha bebedeira semanal contínua. Hum..
Eu vou é voltar pra cama e tentar sonhar com o McDream e o McVet.
E se alguém me acordar.. esse eu mato! Ahhh se mato!
Outro dia Meredith Grey estava na cama com duas pessoas e aquele comercial me atentou a semana inteira. Os dois de bem um com o outro, disposto a fazer com que Grey tivesse a fantasia dos sonhos de qualquer mulher realizada. McDream e McVet na cama, só dela. Quando o programa te leva a loucura por realmente imaginar que aquilo poderia estar acontecendo... Ela acorda com George fazendo barulho na casa. Eu quis matar o George, por ela é claro.
Hoje eu fui acordada e pelo o que eu pude lembrar era um sonho um quanto que estranho. Depois de um dia de intensas atividades com amigos, família, etc., chegava em casa e me deitava no chão para ver tv quando minha mãe me chama. Me abraça e diz que tem algo pra mim. Uma carta. Agradeci e dei um abraço forte. Não achei que fosse alguma coisa que era pra dar muita importância, mas quando olhei o remetente senti meu próprio coraçãozinho pulando forte. Alguém que eu já exclui da minha vida há muito tempo e senti um ódio ao mesmo tempo por ela me atormentar até nos sonhos. Quem faz isso? Só alguém que realmente tem pacto com o senhor das trevas ou com o rei dos magos.
Lembro de hesitar em abrir, fiquei pensando como aquilo poderia ou não mudar tudo. Se tinha algo que explicasse porque que tudo aconteceu, porque que nossas vidas tomaram rumos diferentes, porque uma amizade tão forte se desintegrou. Eu abri. Na mesma hora o Davi ligou.
Pensei em ignorar o celular mas não deu. Davi é uma das poucas pessoas no mundo que quando eu sou mal educada me vem uma culpa terrível e eu nunca consigo dormir a noite por pensar que todos os duendes da terra irão se vingar por ele.
Confesso que enquanto eu falava que não tinha nenhum problema ele me acordar antes de meio dia, de um sábado, no qual fui dormir 5 da manha por ter bebido todas com amigos, pensava nas melhores maneiras de xinga-lo ou de queima-lo vivo. Então que passou a vontade, assim que ele falou em saudade.
Eu decidi não voltar a dormir, que eu não queria saber o que tinha na carta. Minha vida já deu vários passos pra frente e seria muito injusto comigo dar um pra trás.
Acho que tudo isso é fruto da minha bebedeira semanal contínua. Hum..
Eu vou é voltar pra cama e tentar sonhar com o McDream e o McVet.
E se alguém me acordar.. esse eu mato! Ahhh se mato!
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007
Morte às pipocas com sabor.
Engraçado, outro dia eu conversava com um amigo e ele comentou que tinha uma doença, a qual não recordo o nome, mas ele praticamente não sente o cheiro das coisas. Deve ser difícil, mas ele mesmo falou que quando ele sente qualquer coisa, até que não lá muito bem agradável, ele fica feliz. Deve ficar mesmo.
Quando o queijo adentrou meu quarto, às cinco da manhã, me toquei do tempo, perdi a concentração e não consegui fazer mais nada. Fiquei desejando que aquela pipoca maldita criasse vida no estomago do infeliz e resolvesse montar um trio elétrico pra comemorar o carnaval, assim fazendo com que a magnífica pessoa virasse flor.
Até que eu lembrei do Ricardo, o amigo. Fiquei pensando na maioria das coisas que passam despercebidas durante o dia, lembrei de cheiros que já tinha esquecido.
A primeira fornada de cookies.
O cheirinho doce e quente do chocolate que tentava ganhar espaço no meio da massa crocante que ao mesmo tempo era macia. Era como morder um pedaço do céu e ficar contente porque ainda tinham muitos para você ter a mesma sensação.
A flor do vizinho.
Certo dia ao entrar no condomínio, senti um aroma diferente vindo de um lugar desconhecido. Um hortelã, que de tão ácido e convidativo levava sua imaginação para uma piscina gelada com os amigos. Sempre que elas florescem fico na sacada, deitada no chão e deixo a mente voar.
Pé da mamãe.
Toda noite ela passa um bilhão de cremes. Lembro que quando mais nova sempre pedia pra fazer massagem no pé dela, porque tinha um cheirinho diferente. Confesso que agora acho que era cheiro de pé limpo, mas é nostálgico.
Cranberrie Juice
Esse é uma mistura de aroma, sabor e cor. Tudo nesse suco era contagiante. O vermelho vivo com um aroma cítrico, que cortava as narinas como vento gelado mas que descia suave, e te fazia salivar antes mesmo de servirem o primeiro copo.
Caju no pé.
Cajueiro na casa da minha tia em Roraima. Acordar era sempre gostoso, mas só era realmente de manhã depois do primeiro caju no pé. Era só chegar perto que o cheirinho doce me fazia subir aquela arvore o mais rápido possível e eu nem me importava com a dor de barriga que de certeza viria depois.
Lili e a Canela.
Quando minha irmã foi pra SP eu fiquei no quarto durante horas. Tinha o cheiro dela e eu gostava. Era canela pura. Uma mistura de incenso com óleos que ela usava. Nunca descobri de certo. Hoje já não tem mais o cheiro, mas pra mim Lili será sempre canela.
E o queijo me trouxe dor de cabeça. E acreditem o maldito ainda não passou!
Amanhã eu mato quem teve essa idéia brilhante.
Quando o queijo adentrou meu quarto, às cinco da manhã, me toquei do tempo, perdi a concentração e não consegui fazer mais nada. Fiquei desejando que aquela pipoca maldita criasse vida no estomago do infeliz e resolvesse montar um trio elétrico pra comemorar o carnaval, assim fazendo com que a magnífica pessoa virasse flor.
Até que eu lembrei do Ricardo, o amigo. Fiquei pensando na maioria das coisas que passam despercebidas durante o dia, lembrei de cheiros que já tinha esquecido.
A primeira fornada de cookies.
O cheirinho doce e quente do chocolate que tentava ganhar espaço no meio da massa crocante que ao mesmo tempo era macia. Era como morder um pedaço do céu e ficar contente porque ainda tinham muitos para você ter a mesma sensação.
A flor do vizinho.
Certo dia ao entrar no condomínio, senti um aroma diferente vindo de um lugar desconhecido. Um hortelã, que de tão ácido e convidativo levava sua imaginação para uma piscina gelada com os amigos. Sempre que elas florescem fico na sacada, deitada no chão e deixo a mente voar.
Pé da mamãe.
Toda noite ela passa um bilhão de cremes. Lembro que quando mais nova sempre pedia pra fazer massagem no pé dela, porque tinha um cheirinho diferente. Confesso que agora acho que era cheiro de pé limpo, mas é nostálgico.
Cranberrie Juice
Esse é uma mistura de aroma, sabor e cor. Tudo nesse suco era contagiante. O vermelho vivo com um aroma cítrico, que cortava as narinas como vento gelado mas que descia suave, e te fazia salivar antes mesmo de servirem o primeiro copo.
Caju no pé.
Cajueiro na casa da minha tia em Roraima. Acordar era sempre gostoso, mas só era realmente de manhã depois do primeiro caju no pé. Era só chegar perto que o cheirinho doce me fazia subir aquela arvore o mais rápido possível e eu nem me importava com a dor de barriga que de certeza viria depois.
Lili e a Canela.
Quando minha irmã foi pra SP eu fiquei no quarto durante horas. Tinha o cheiro dela e eu gostava. Era canela pura. Uma mistura de incenso com óleos que ela usava. Nunca descobri de certo. Hoje já não tem mais o cheiro, mas pra mim Lili será sempre canela.
E o queijo me trouxe dor de cabeça. E acreditem o maldito ainda não passou!
Amanhã eu mato quem teve essa idéia brilhante.
Algumas cachaças e uma idéia.
Nem me lembro se de fato meu cunhado tinha bebido, mas esta seria uma idéia que com certeza mais cedo ou mais tarde iria surgir em uma mesa de bar.
Eu nunca fui boa em escrever, até brinco que eu nunca daria uma boa redatora, quer dizer, eu não brinco. Eu não daria uma boa redatora.
Porquê? Exemplo: Estou com a tela aberta tem quase meia hora, quem sabe mais, e as vezes eu não sei o que escrever. Escrevo, deleto, escrevo, volto atrás, até que .. este pauzinho que fica piscando, me chateia e eu fecho a tela. Acredite, isto vai acontecer um bilhão de vezes, mas eu me esforçarei. Ah, eu também leio e releio tudo o que escrevo e eu nunca acho que está bom, até que eu me canso e desisto. Isto costuma ser uma rotina. Hum..
Enfim..
Que as palavras de Drummond dominem meu ser para que eu possa vir mais vezes por aqui.
Eu nunca fui boa em escrever, até brinco que eu nunca daria uma boa redatora, quer dizer, eu não brinco. Eu não daria uma boa redatora.
Porquê? Exemplo: Estou com a tela aberta tem quase meia hora, quem sabe mais, e as vezes eu não sei o que escrever. Escrevo, deleto, escrevo, volto atrás, até que .. este pauzinho que fica piscando, me chateia e eu fecho a tela. Acredite, isto vai acontecer um bilhão de vezes, mas eu me esforçarei. Ah, eu também leio e releio tudo o que escrevo e eu nunca acho que está bom, até que eu me canso e desisto. Isto costuma ser uma rotina. Hum..
Enfim..
Que as palavras de Drummond dominem meu ser para que eu possa vir mais vezes por aqui.
"Não adules o poema. Aceita-o"
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