segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Morte às pipocas com sabor.

Engraçado, outro dia eu conversava com um amigo e ele comentou que tinha uma doença, a qual não recordo o nome, mas ele praticamente não sente o cheiro das coisas. Deve ser difícil, mas ele mesmo falou que quando ele sente qualquer coisa, até que não lá muito bem agradável, ele fica feliz. Deve ficar mesmo.

Quando o queijo adentrou meu quarto, às cinco da manhã, me toquei do tempo, perdi a concentração e não consegui fazer mais nada. Fiquei desejando que aquela pipoca maldita criasse vida no estomago do infeliz e resolvesse montar um trio elétrico pra comemorar o carnaval, assim fazendo com que a magnífica pessoa virasse flor.
Até que eu lembrei do Ricardo, o amigo. Fiquei pensando na maioria das coisas que passam despercebidas durante o dia, lembrei de cheiros que já tinha esquecido.

A primeira fornada de cookies.
O cheirinho doce e quente do chocolate que tentava ganhar espaço no meio da massa crocante que ao mesmo tempo era macia. Era como morder um pedaço do céu e ficar contente porque ainda tinham muitos para você ter a mesma sensação.

A flor do vizinho.
Certo dia ao entrar no condomínio, senti um aroma diferente vindo de um lugar desconhecido. Um hortelã, que de tão ácido e convidativo levava sua imaginação para uma piscina gelada com os amigos. Sempre que elas florescem fico na sacada, deitada no chão e deixo a mente voar.

Pé da mamãe.
Toda noite ela passa um bilhão de cremes. Lembro que quando mais nova sempre pedia pra fazer massagem no pé dela, porque tinha um cheirinho diferente. Confesso que agora acho que era cheiro de pé limpo, mas é nostálgico.

Cranberrie Juice
Esse é uma mistura de aroma, sabor e cor. Tudo nesse suco era contagiante. O vermelho vivo com um aroma cítrico, que cortava as narinas como vento gelado mas que descia suave, e te fazia salivar antes mesmo de servirem o primeiro copo.

Caju no pé.
Cajueiro na casa da minha tia em Roraima. Acordar era sempre gostoso, mas só era realmente de manhã depois do primeiro caju no pé. Era só chegar perto que o cheirinho doce me fazia subir aquela arvore o mais rápido possível e eu nem me importava com a dor de barriga que de certeza viria depois.

Lili e a Canela.
Quando minha irmã foi pra SP eu fiquei no quarto durante horas. Tinha o cheiro dela e eu gostava. Era canela pura. Uma mistura de incenso com óleos que ela usava. Nunca descobri de certo. Hoje já não tem mais o cheiro, mas pra mim Lili será sempre canela.

E o queijo me trouxe dor de cabeça. E acreditem o maldito ainda não passou!
Amanhã eu mato quem teve essa idéia brilhante.

Um comentário:

Lisias disse...

Canela...

Sim, Lilica tem o aroma da Canela - e também seu sabor picante. :)

Ela deixa saudades, né?