Eu sempre concordei com Guimarães Rosa: Despedir dá febre.
É duro ver quem se quer perto partir. E sei que sou só mais uma na multidão a pensar assim. Afinal, quem que quer longe alguém que nos faz sorrir?
Quando chega hora de ir embora, quando me toco de fato que a ida está perto, eu sou fria, rude, estúpida e grossa com quem tenta me bajular. Não deixo transparecer a inquietação que a febre já está me causando, que me dá arrepios e goles secos. Prefiro não falar e sempre tento agir como se fosse um dia qualquer.
Não choro, não me abato, não dou abraços longos que te dão deixa para frases clichês.
De um dia pro outro fico assim como num surto de bipolaridade somente porque não gosto que me vejam chorando.
Despedidas fazem minha garganta se entrelaçar e quando a palavra procura uma tangente, de repente não acha a saída e se perde nas linhas da confusão.
Gosto que fiquem do meu lado, meio encostados, meio juntos, bebendo, fumando, mas que fiquem em silêncio. O silencio é confortante. Como se jogar no sofá depois de um dia inteiro na churrascaria.
Já tive muitas idas e vindas na minha vida. Dizem que com o tempo você acaba se acostumando. Mas eu nunca me acostumei.
Não gosto do cheiro dos aeroportos. Me fazem tão mal quanto o gosto de Novalgina. Preferia tomar banho frio do que tomar novalgina. Prefiro sumir do que me despedir.
Depois eu penso porque que eu não abracei, porque eu não disse que ia sentir falta, porque não me deixei ser tola pelo menos uma vez?
Depois eu sempre choro como criança que esperneia porque não quer ir embora do parquinho de diversão.
Choro porque dói.
Dói mais que essa otite que não me deixa dormir.
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Um comentário:
Moça...
A dor é inevitável, o sofrimento é opcional...
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