sexta-feira, 20 de abril de 2007

Falando nisso..

No meu aniversário eu faço um ritual, melhor dizendo eu tenho uma tradição. Para mim é sagrado ver Big Fish. Não faço isso para torturar meus amigos que sempre estão presentes a cada ano, nem para tentar furar o dvd que já está tão gasto, mas sim porque é uma lição de vida.
Vejo e revejo para não esquecer o que seria certo ou errado fazer, e todo ano eu tiro uma citação para ela então ser seguida no decorrer dos 365 dias.

Este ano foi:
“Os papagaios do Congo falam de tudo, política, filmes, moda. Tudo menos religião”
“Porque não religião Pai?”
“É rude falar sobre religião, você nunca sabe quem vai ofender”


É engraçado como as coisas são.

Justamente no ano em que eu decidi ser neutra quanto a fé e a espiritualidade das pessoas, me cai nas mãos um trabalho sobre Ética e Religião, a qual o professor era padre e demonstra, sem pudor, o seu total desgosto pela minha pessoa.

Eu poderia fazer um trabalho estereotipado, com um enjoativo perfume de rosas banhadas ao leite, assim garantindo minha nota. Contudo estaria indo contra todos meus valores.
Ou então eu poderia expor meus cruéis pensamentos agnósticos/ateístas, romper a regra de pensamentos Big Fishianos e de quebra ter a chance de levar um bonito zero. Sairia, todavia, de alma lavada.

Morreria pelos dois lados.

Por um momento, tomada por um orgulho espartano, decidi que se fosse deixar de existir, que o faria então levando comigo o brio estampado no rosto.

É engraçado como as coisas são..

Logo depois de um post falando sobre o inesperado, subitamente algo me pegou de surpresa.
Além da nota máxima, tive o bel prazer de ouvi-lo tecer um breve elogio, ríspido, mas ainda sim era um elogio.

Como se fosse do nosso cotidiano a explicita cortesia, me levantei já o agradecendo, peguei o trabalho e me sentei. Meu ato se fez exatamente durante uma longa inspiração e expiração dos seres ali presentes, que nada entendiam as palavras trocadas.

Sorriso de canto.
É engraçado como as coisas são.

2 comentários:

Anônimo disse...

Como já se diria em Esparta: "Se milhões de flechas encobrirão o céu da grécia, nós lutaremos na sombra"

Eu também prefiro um zero com orgulho do que um dez cheiroso e vazio!

Beijos Kika!

Anônimo disse...

Não vi nada que não imagina-se realmente vir de você ... não era inesperado que tu fizesse um trabalho ao teu gosto do que para simplesmente ganhar nota ... a grande diferença dos pensadores está ai ...
Bom acho que chega de "cordialidades"
e se tu nun te deu conta aqui é o "Luca" =P

Beijo ... até mais!