domingo, 8 de abril de 2007

Vidraça Humana Estilhaçada

Hoje eu percebi que eu sou uma mala.
Uma menina sensível, de coração mole, que carrega muita mágoa no peito.

Algumas pessoas já haviam me alertado para tamanha sensibilidade, ao ponto de confessarem ter medo de falar certas coisas pra mim, pois não sabem como irei reagir. Lógico que nunca levei ao pé da letra, nem ao menos percebi seriedade.

Tirei a prova dos nove e me assustei com o resultado. Virei menininha. Daquelas que se emociona e suspira com filmes a lá ‘Diário de uma paixão’. Nada contra o filme, excelente até, mas nunca fez o meu gênero.

Já não posso dizer ser a barreira de gelo que antes todos notavam de longe e tinham medo de chegar perto por não estarem preparados pra tanta frieza. Deixei de ser a muralha que antes era tão comentada.

Virei algo tão frágil quanto a porcelana de casamento dos meus pais.

Qualquer garotinha de 5ª série seria capaz de me partir em mil cacos e pisar em cima sem medo, porque para piorar a situação, aparentemente, sou vidro feito de açúcar e não machuca.

Levei tanta surra no meio do caminho, tanto murro na alma, tanta cuspida na cara, que ao invés de fazer o que sempre era de costume, eu murchei. Assim, sem mais nem menos como uma rosa que desvanece, sem explicação, em meio à primavera vivaz.

Talvez até tenha uma explicação. Vai ver eu cansei de viver atrás de sete máscaras. Dizem que tudo cansa um dia na vida. Vai ver meu espírito está pedindo uma trégua depois de uma árdua batalha que nunca sequer teve pausa para recuperar o fôlego.

Conviver com esse alguém novo e confuso vai ser um trabalho penoso e cansativo.

Acho que isso é falta de carinho.

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