As vezes eu tenho raiva da minha insônia, particularmente em dias como hoje.
Nunca ela foi um fardo para mim, nem de longe. Sempre tirei proveito da minha companheira involuntária desde que nos conhecemos no inicio da adolescência, onde tudo era maravilhoso e perigoso.
Fugir para casa dos amigos e voltar antes de raiar o sol, certamente era a arte mais excitante. Nada poderia causar uma adrenalina maior e um ar de satisfação quando voltava e via que ninguém notara minha ausência devido aos roncos incessantes.
Com o advento da internet penetrado nas veias descobri que não era somente eu que sofria deste mal benevolente. As conversas mais intrigantes tive com estas pessoas, que sempre iam dormir antes de mim e ainda vão.
Me ensinou que os melhores trabalhos poderiam ser produzidos na sua presença e que o café, meu bem amado, a seduzia de forma tão maligna que eu jamais entendi.
Mas, em dias como hoje, gostaria de jamais tê-la conhecido.
Devido uma noite mal dormida, ao estresse da faculdade, a corrida noturna e o esforço para manter uma vida social, meu corpo está praticamente requisitando um leito de morte. Minhas pálpebras parecem querer ter vida própria, mas ela não deixa.
Vem de mansinho como um ser domesticado e benigno. Mas quando ela toma conta de meus pensamentos, se mostra vil e sem compaixão.
Tento ler, mas a inquietude não deixa ultrapassar mais de trinta páginas.
O mundo virtual passa a ser tediante, nada mais é novidade. Tendo a cair nas mesmas noticias que cinco minutos atrás vi.
Nenhum dvd é suficientemente interessante para ser visto pela vigésima vez.
Nem o ruído convidativo da chuva batendo na janela consegue persuadi-la.
E aqui fico eu.
Com uma mente leviana, que viaja para acontecimentos futuros, cria fantasias que possivelmente poderiam se tornar reais, provocando uma ansiedade desigual.
Penso e repenso nas atividades que farei em menos de cinco horas, porém o tempo não passa.
Os dias não passam. Tudo parece ter se estagnado em uma órbita paralela que não há saída visivelmente humana.
Nesses dias vivo uma luta contra o desespero, que talvez nem Breuer conseguisse curar.
quinta-feira, 10 de maio de 2007
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