sábado, 4 de agosto de 2007

Sonhos podem ser verdade.

De que adianta me rebelar contra o governo opressor, se eu baixo a cabeça para o mesmo, assim que levantam a voz para me prometerem uma vida de muito horror e escárnio?

Não quero reivindicar minha liberdade, se diante de tais circunstâncias, os que estão no poder me aprisionam em uma cela escura e fedida e tudo o que eu me alimento por dia é meio pão, duro, mofado e um copo de água suja.

Não é faltar com o respeito, aos que estão acima de mim, pronunciar palavras que representam um sonho. Deveriam soar aos ouvidos de todos como melodia de Beethoven, uma canção noturna que só faria seus olhos abrirem pro mundo. Mas ao invés de doces músicas, a aristocracia a deforma, transformando-as em algo ordinário e desprezível. Transformam os idealistas em errantes e todos passam a ser vistos ,pelos olhos da sociedade, como a escória da humanidade.

De que vale eu arriscar a pobre, porém a única vida que tenho, se já não tenho forças para enfrentar sem hesitar uma só vez? Falta coragem para juntar a burguesia e sair pelas ruas sem medo de amanhã ser a próxima vítima de uma morte súbita, um assalto qualquer ou uma parada cardíaca, como diriam os jornais.

Não quero ser mais um que se acostuma com uma ditadura que foi imposta no primeiro vacilo de meus olhos e que é disfarçado por um lindo véu de noite estrelada. Estes incrédulos são os fazem todos os planos dissolverem na primeira enchente do inverno.

Quem vier comigo terá de ter certeza, pois a desistência não será uma saída fácil e indolor. Nos encontraremos na surdina, enquanto eles pensarão que venceram, pois fingir estar adepto às leis é arma principal do jogo, a encenação perfeita. Invocaremos todos os histriões, bobos da corte, palhaços que existem em nós.

Pode demorar até que o dia da batalha chegue. Lutaremos apenas quando a gana de vencer for maior do que viver, pois quando este dia chegar, muitos poderão deixar de existir. Mas só de saber que os outros que virão depois de mim serão livres do jeito que sempre sonhei em ser, enfrentaria todo o exército com a força de somente duas mãos. As minhas.

Mas sei que não estou sozinha.