sexta-feira, 19 de junho de 2009

Mais uma dose, por favor.

Confiar em alguém é muito difícil, tal como andar a primeira vez de bicicleta sem rodinhas, viver um grande amor ou abrir um pote de azeitona na madrugada.

Nem sempre fui assim, mas quando levamos uma queda feia, como levou Nietzsche com Lou Salomé, não é nada fácil se manter em pé sendo a mesma pessoa de outrora.

Procuramos saídas ou nos iludimos, com nosso próprio consentimento, com as válvulas de escape.

Geralmente buscamos a solução, insolúvel, nos braços de outros homens. Estes já cansados de serem a fuga de tantos. Entretanto, os devaneios mais intensos tive com o José, o Johnnie, e o Jack, talvez porque eles nunca me deixaram na mão e pesa o fato de nunca terem me julgado.

Mas a vida é assim. Um dia você vai dormir achando que tem total controle da sua vida e escolhas. No outro você acorda com uma ressaca moral, mesmo com nenhum vestígio de álcool na corrente sanguínea, desejando que a luz do dia seja uma ilusão de ótica.

No final nos reerguemos como estalagmites pretensiosas. Brotamos do chão, mas dessa vez como gelos do ártico. Cortantes, frios e se tocados por muito tempo podemos queimar, porém somos tão frágeis quanto as três pedras do seu uísque importado.

Fico me perguntando se alguém já fez o Johnnie Walker tropeçar no meio do caminho..

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