Nunca tive tanta saudade de uma pessoa na minha vida.
Sinto falta de alguém que sempre soube o que me dizer até nas horas mais impróprias e que não tinham salvação.
Aquele sorriso indiscreto que seguia de uma risada sem pudores, que me fazia crer que os dias eram tão mágicos quanto um campo de tulipas amarelas que surgem na primavera precoce.
Um ser que não tinha medo do branco, do claro e principalmente do escuro. Me puxava pelas mãos para que eu enfrentasse meus próprios medos, muitas vezes me carregando nos braços. E quando eu olhava para trás, nossos passos se confundiam e eu já não definia quais pegadas eram de quem.
Essa pessoa que contagiava a todos seja onde fosse. Comprava briga por mim mesmo eu implorando que não fizesse. Acho que ela fazia isso porque era a única que percebia meus apelos de ajuda camuflados quando meus olhos perdiam o brilho.
Quando estava por perto me instigava a ser melhor. A querer o melhor. O melhor de mim.
E quando colocava uma música alta na madrugada, fosse um rock britânico ou um samba jazz, me chamava pra dançar. O mundo parava. Mesmo quando o som real acabava, nos perdiamos na melodia que tocava dentro de nossas mentes. Faziamos de nós uma só nota.
Meu penar maior é não ter seus abraços. Quando me acalentava nada mais importava. Era a tradução completa da segurança, mesmo com os homens se matando atrás da porta ou a terra perdendo as cores janela à fora.
Me afogar na solidão, mesmo que em vão, nunca foi preciso. Tirava de mim os pensamentos mais belos. Ao seu lado a fotografia tinha todo um sentido. As cores no papel eram de uma riqueza jamais vista. Era minha inspiração mais real. Nos dias quentes e nas noites frias.
Me arrancava os sorrisos mais sinceros mesmo quando o mau humor matinal parecia não ter fim.
E quando eu queria me calar para o mundo e desejar o mundo desaparecer, estava ali do meu lado num silêncio confortável até que eu adormecesse no seu colo e esquecesse minhas angustias.
Sinto saudades de alguém que me ensinou a ter urgência de viver.
Era impossível não ser feliz.
Volta Érica!
segunda-feira, 22 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Mais uma dose, por favor.
Confiar em alguém é muito difícil, tal como andar a primeira vez de bicicleta sem rodinhas, viver um grande amor ou abrir um pote de azeitona na madrugada.
Nem sempre fui assim, mas quando levamos uma queda feia, como levou Nietzsche com Lou Salomé, não é nada fácil se manter em pé sendo a mesma pessoa de outrora.
Procuramos saídas ou nos iludimos, com nosso próprio consentimento, com as válvulas de escape.
Geralmente buscamos a solução, insolúvel, nos braços de outros homens. Estes já cansados de serem a fuga de tantos. Entretanto, os devaneios mais intensos tive com o José, o Johnnie, e o Jack, talvez porque eles nunca me deixaram na mão e pesa o fato de nunca terem me julgado.
Mas a vida é assim. Um dia você vai dormir achando que tem total controle da sua vida e escolhas. No outro você acorda com uma ressaca moral, mesmo com nenhum vestígio de álcool na corrente sanguínea, desejando que a luz do dia seja uma ilusão de ótica.
No final nos reerguemos como estalagmites pretensiosas. Brotamos do chão, mas dessa vez como gelos do ártico. Cortantes, frios e se tocados por muito tempo podemos queimar, porém somos tão frágeis quanto as três pedras do seu uísque importado.
Fico me perguntando se alguém já fez o Johnnie Walker tropeçar no meio do caminho..
Nem sempre fui assim, mas quando levamos uma queda feia, como levou Nietzsche com Lou Salomé, não é nada fácil se manter em pé sendo a mesma pessoa de outrora.
Procuramos saídas ou nos iludimos, com nosso próprio consentimento, com as válvulas de escape.
Geralmente buscamos a solução, insolúvel, nos braços de outros homens. Estes já cansados de serem a fuga de tantos. Entretanto, os devaneios mais intensos tive com o José, o Johnnie, e o Jack, talvez porque eles nunca me deixaram na mão e pesa o fato de nunca terem me julgado.
Mas a vida é assim. Um dia você vai dormir achando que tem total controle da sua vida e escolhas. No outro você acorda com uma ressaca moral, mesmo com nenhum vestígio de álcool na corrente sanguínea, desejando que a luz do dia seja uma ilusão de ótica.
No final nos reerguemos como estalagmites pretensiosas. Brotamos do chão, mas dessa vez como gelos do ártico. Cortantes, frios e se tocados por muito tempo podemos queimar, porém somos tão frágeis quanto as três pedras do seu uísque importado.
Fico me perguntando se alguém já fez o Johnnie Walker tropeçar no meio do caminho..
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